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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Razões (a mais) para louvar

Durantes os últimos dias estivemos fechando alguns relatórios, documentos e papéis mais burocráticos. Além da terrível enxaqueca, tudo isso me fez ver a grandeza do trabalho ao qual estamos inseridos e o quanto o Senhor tem agido em nosso meio.
O trabalho com meninos em situação de risco (primeira fase) recebe diariamente em média de 30 meninos. Esses meninos recebem banho, roupa limpa, alimentação, cuidados médicos, se divertem, assistem filme e aprendem mais sobre o amor de Deus e a salvação em Jesus. Somente no mês de setembo recebemos 80 meninos diferentes (estou ansiosa por concluir a contagem e saber quantos já estiveram conosco durante todo este ano!). Lembrando que o Samba, líder desta etapa, começou como um desses meninos e hoje, com sua vida restaurada, quer fazer por estas crianças o que um dia fizeram por ele.

Trabalho com meninos em situação de risco

Mais 3 meninos, que frequentavam a primeira fase, já foram retirados das ruas, receberam emprego e estão sendo discipulados.
A igreja (que funciona na mesma casa em que, durante a semana, os meninos são acolhidos) também tem dado os seus frutos. A liderança é composta por alguns dos "meninos" (hoje homens!) frutos do trabalho com meninos de rua.
Já temos uma igreja em Thiés (cidade próxima a Dakar), que completou 3 anos neste último mês, com uma linda festa e muitos testemunhos. Também estamos implantando outra em um village próximo ao Lago Rosa. O trabalho do Lago Rosa é liderado por Juliesbertina, uma senegalesa. Lá também temos um projeto específico com mulheres e uma escolinha de alfabetização para as crianças do village.

Crianças se apresentando na igreja de Thiés.

O ministério de desenvolvimento social e captação de recursos- Churrascaria Brasil- emprega, atualmente, 16 rapazes (todos frutos dos trabalhos citados acima). Este ministério conclui, ao mesmo tempo que reinícia o ciclo dessa missão. Pois, enquanto tem servido de apoio social aos rapazes e demais membros da igreja, a Churrascaria Brasil também sustenta os trabalhos acima (ministério com meninos em situação de risco, igreja de Dakar, Thiés e Lago Rosa, obreiros senegaleses envolvidos nestes ministérios, projeto com as mulheres no Lago Rosa e escolinha infantil também no Lago Rosa).

Meninos esperando os clientes chegarem

Diante de tudo isso, convido-os a louvarem ao Senhor por cada um de seus feitos e por nos permitir ser parte do plano Dele para a redenção desta nação.

"Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios." Sl 103.2




quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O "Grande dia"

O primeiro Tabaski a gente nunca esquece! Fiz questão de relatar com o máximo de detalhes pra vocês...
E a festa começou cedo! Ou melhor, tarde, bem tarde. Ontem a noite já saíram dois ônibus aqui da vizinhança. Na bagagem não poderia faltar o cordeiro, o carvão, as bacias e uma boa faca! Provavelmente foram passar o Tabaski com os parentes no interior- quanta alegria!

E hoje pela manhã, a clássica cena:

Homens bem arrumados, carregando seus tapetes para oração se dirigem à mesquita

As mulheres preparam a brasa, providenciam as bacias e aguardam anciosas o retorno do esposo (quem não parece tão ansioso assim é o cordeirinho ali ao lado...)


Já as crianças, aproveitam pra se divertirem. Reparem o "colar" (grigri) do cordeiro, é tipo um amuleto de sorte, pra que o animal não morra antes da hora.
Pronto! Homens de volta e já afiando as facas!

O primeiro já se foi, que venha o próximo!


Outros vizinhos, outro animal


As crianças amando!


Tirando o couro

O sangue fica em um "buraco" na frente da casa, como que enterrado. Depois, o local é limpo (pelos mais caprichosos, claro...)

"Restos" do cordeiro (fico só devendo pra vocês as fotos dos montes enormes de couro em algumas esquinas).


E, pra fechar bem o dia, quando anoitece as crianças e mulheres se produzem muito e saem pelas casas para pedir dinheiro

Pra não estender muito mais, na próxima eu conto como foi o nosso tabaski- afinal, aproveitamos o feriado e nos reunimos com os meninos do projeto para um almoço bem descontraído e cheio de gratidão a Deus!




segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Tabaski (antes)




Estamos na época em que os muçulmanos celebram o dia em que Deus proveu o sacrifício a Abraão, quando ele sacrificaria seu próprio filho "Ismael". O tabaski, como é chamado, é um momento em que as famílias e amigos se reúnem e sacrificam também, cada uma, seu próprio animal.
O clima do país muda completamente!
Cordeiros- mutons- por todas as partes, literalmente! Inclusive já vi vários até mesmo "andando" de taxi, no banco traseiro. Com isso, já é de se imaginar que o cheiro da cidade (lembrando do calor que faz aqui) seja um pouco "diferente" também, né?! Em frente a cada casa e/ou estabelecimento- um animal esperando "sua hora".
O valor dos cordeiros é, em média, 150.000,00 Fca- que equivale a algo em torno de R$ 450,00. Porém, existe ainda uma certa "disputa" pelo melhor animal, o mais caro...afinal, quanto melhor o animal, mais bem aceito e maiores as bençãos! Ouvimos na rádio de um cara que comprou um "muton" por 1.200.000,00 fca (isso mesmo! Um milhão e duzentos mil!), três mil e seiscentos reais, aproximadamente. Isso porque estamos falando de um país muito pobre! Por causa disso também são comuns roubos e outras formas de violência. Afinal, o sacrifício é necessário mesmo que não se tenha condições comprar o animal.
Assim como o natal para nós brasileiros, o tabaski se tornou uma data muito importante comercialmente. Afinal, todos querem vestir as melhores- e mais novas- roupas, fazer um novo penteado no cabelo, maquiagem e vários "eteceteras". Nesta época todas as mercadorias são superfaturadas. Os preços sobem em proporções enormes. Mas, ainda assim, o tumulto é geral, as lojas são cheias e os mercados também, sem falar nas costureiras (aqui o mais comum ainda é mandar fazer a roupa).
Uma pena é que aqui é muito difícil de conseguir fotografar. Ainda mais que eu sou "tubab", eles reclamam e até partem para agressão, então, seguem algumas das que eu consegui meio "as escondidas":

Todo lugar é lugar. A cidade se torna um grande "mercado de cordeiros"

Ônibus "comum" parando para que seus passageiros comprem e "acomodem" seus animais na parte superior

Mais um "ponto de venda"

ônibus carregando animais e alimento para os mesmos

A rua da minha casa não poderia ficar de fora

Esse viaja mais "tranquilo", com mais espaço

Não vou finalizar esta postagem, afinal, ela continua na quarta!
Abraços

sábado, 6 de novembro de 2010

Pensando na vida, cumprindo a missão


Há uns dias atrás, um amigo me pediu para falar sobre missão de vida. Fiquei pensando em como respondê-lo sendo o mais verdadeira e menos teórica possível, afinal, de teorias e definições para "missão de vida" a internet está cheia. Não queria ser apenas mais um número, até porque não sou tão boa assim em palavras e nessa eu sairia perdendo.
Mas, arrisquei rascunhar minha opinião, levando em conta a inenarrável alegria de sentir-me alinhada ao que eu acredito ser a minha missão de vida (isso não significa que eu esteja perto de concluí-la).
Como estudante de Marketing que fui, aprendi que a Missão tem a ver com o que nos propomos a fazer e a quem. E, para mim, esta é a chave: PARA QUEM.
Trabalhar com meninos em áreas de risco é honrável. Servir de ferramenta para reinserí-los na sociedade também. Mas, não seriam o bastante para me fazer sair de casa, deixar o conforto, renunciar minha cultura, idioma, estilo de vida, comida, e váááárias outras coisas (até porque necessidades existem em todos os lugares). Mas, fazer a vontade Daquele a quem eu amo e que me ama acima de todas as coisas, isso sim me traz convicção, motivação e todos os "ãos" necessários para a formação desse ideal, dessa missão.

Ele me perguntou também sobre "minha bagagem". Voltando ao Brasil, o que eu levaria em minha mochila. Pergunta um tanto quanto difícil né?! Mas, a resposta tem ficado a cada dia mais clara pra mim!

De tudo o que tenho visto, ouvido e sentido aqui, é difícil escolher algumas coisas pra carregar comigo. Por ser branca e ser mulher, sou bem descriminada. Recebo normalmente um tratamento hostil ou "explorador" (salvo lindas e louváveis exceções). Com isso tenho aprendido demais o sentido de amar incondicionalmente. E é dessa bagagem que eu não pretendo abrir mão. Mesmo que eles não reconheçam. Mesmo que eles não "respondam" positivamente a todos os meus esforços. Eu faria tudo novamente. Na verdade, eu faria muito mais, se assim pudesse.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Suficientemente crianças


Se tivesse que, em uma palavra, descrever minha impressão a cerca do Senegal e dos trabalhos que desenvolvemos diria: Necessidade! E, quanta necessidade! Diante disso, tenho (com muita freqüência) o sentimento de incapacidade e impotência. Há tanto para ser feito! Tantas “urgências” que eu me vejo sem idéias, sem saber o que fazer. Quando sei o que fazer, sou impedida pelas condições financeiras. Quando tenho os dois, faltam “trabalhadores”. Quando há estes, sou surpreendida por alguma barreira cultural e, novamente me vejo sem idéias, sem saber o que fazer. Quando sei o que fazer... E, assim sucessiva e (quase que) constantemente!

Hoje, em um maravilhoso tempo de desabafos, consolo e refrigério (desabafos por minha conta. Consolo e refrigério da parte Daquele que é amor) meditei em uma palavra que me fez lembrar o meu papel, que não é resolver os problemas que (sempre) insistem em aparecer. O meu papel, Naquele que me chamou, é- como uma criança- confiar.

“O grande problema do trabalho missionário é que o chamado de Deus seja ofuscado pelos problemas das pessoas a ponto de a compaixão humana se sobrepor totalmente ao fato de termos sido enviados por Jesus. Os problemas são tão tremendos, as condições nos deixam tão perplexos, que todas as nossas idéias vacilam e falham” (Tudo para Ele, 26/10). Nossa compaixão deve ser fruto de um coração sensível ao Espírito Santo, e nosso trabalho deve ser o resultado de uma vida de devoção e obediência à voz Daquele que mais amou a humanidade - a ponto de entregar Seu único filho por ela.

Quando me maravilho com os projetos, trabalhos, milagres, prodígios e maravilhas realizados no passado, percebo que não posso creditar nada à sabedoria ou capacidade humana, pois sempre que tentaram agir sozinhos vacilaram. Devo atribuir tudo à orientação divina, através de pessoas humildes que foram suficientemente crianças para confiar na sabedoria de Deus.

Sejamos assim: suficientemente crianças.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Diário de uma sexta-feira (parte 2)


Confesso que estou bem cansada, mas eu não podia adiar mais uma vez o tão prometido post acerca dos Talibes. Na verdade, este post não é sobre eles de fato, mas sobre uma prática adotada por eles e que é mais uma das "peculiaridades" da tal sexta-feira em Dakar.
Como eu já comentei aqui, e aqui, os Talibes (meninos "discípulos" dos Marabús) precisam passar o dia nas ruas pedindo dinheiro (que depois será entregue aos seus líderes.
Aí, há um tempo atrás, os meninos resolveram fazer greve (kkkkk pedir esmola já é profissão né?!). Isso mesmo: G.R.E.V.E!
Eles estavam achando que as doações eram muito baixas e, simplesmente, pararam de aceitar doações abaixo de um tal valor. Como as crenças da maior parte do povo aqui determina que eles devem dar esmolas para que recebam recompensas futuras e não castigos, o povo precisava aumentar o valor "ofertado".
Imaginem a cena:
"-Me dá dinheiro?"
"-Sim , pega aqui!"
"-Não, não isso é pouco. Estou de greve, isso eu não aceito. Obrigado"
"-Desculpe menino, com mais esse tanto (já abrindo a carteira) você aceita? Por favor!"

Claro que para nós, brasileiros, a cena é até engraçada né?! Greve dos "arrecadadores de esmola"! Mas, se pensarmos que todos estes -os que estão lucrando por trás desses meninos, os meninos, os pais que os entregaram a estes marabús e os "contribuintes"- são subjulgados, e escravizados por uma falsa-verdade e uma cultura opressora, nossa reação será outra.
Assim como no post anterior, os convido a refletir no que está por trás de tudo isso.

Oremos, mais uma vez, por esta nação.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Agora é que são elas!

No último post falei muito a respeito dos meninos (que já estão se tornando homens!). Neste, nada mais justo do que contar um pouquinho a cerca das mulheres (até porque assim, a oração daqueles que aceitaram o convite anterior pode ser mais específica!)
É realmente muito difícil ser mulher em um país como este. Tudo bem que existem alguns raros privilégios, mas sem dúvidas eles não compensam os sacrifícios.
Nós (incluindo as estrangeiras e, principalmente as estrangeiras- pois as ocidentais são vistas de uma forma generalizada e não muito "louvável") somos repletas de "deveres" e temos pouquíssimos direitos. O direito de ser respeitada, por exemplo, ficou fora de nossa pequena lista.
Encontrar respeito da parte dos homens é muito raro. Salvo exceções (que são realmente de desconfiar).
Encontrar estratégias, que sejam eficazes, para trabalhar com essas mulheres não é tão simples assim. Elas são responsáveis por quase todo o trabalho, além de cuidar dos filhos. Carregam todo o peso sob suas cabeças enquanto trazem seus bebês nas costas.
Essa semana conheci uma missionária linda, com um trabalho lindo entre mulheres em um village (não citarei seu nome pois esqueci de pedir autorização, quem sabe numa próxima eu revele! Afinal, sonhamos em fazer algumas coisinhas juntas- aí aproveito pra descrever melhor o trabalho dela, pois é tão completo que eu se eu citar aqui esse post vai ficar imeeeeeenso).
Ela me contou de uma moça desse mesmo village que, dias atrás, ligou desesperada: seu pai havia combinado o seu casamento e ela disse que não queria se casar com o tal "prometido". Devido a isso, ela foi espancada pelos pais e irmãos.
Essa é apenas a história mais recente que eu ouvi, mas como essa existem muitas.
Sei que Deus se entristece muito com isso (e nós também não podemos ficar indiferentes). Afinal, Seu único filho foi entregue pra morrer por nós, pela nossa liberdade, e inúmeras pessoas ainda são mantidas sob jugos e prisões.
Não questiono aqui a cultura do povo, mas o que está por trás de tudo isto.

Que o amor do Pai se revele a essas mulheres!